Contagem regressiva

terça-feira, 20 de junho de 2017

O CAIPIRA E AS MODERNIDADES
                                                                             
João do Burro estava encostado na porta do restaurante da Dona Zefa. Ele era o João do Burro, mas tinha mesmo uma carroça puxada por um cavalo velhinho. Fazia uns bicos para ganhar uns trocados, quando a roça estava produzindo pouco.
Fazia uns minutos que ele acompanhava com os olhos e ouvidos o drama da Zefa tentando atender um casalzinho de paulistanos estressados que haviam parado por aquelas bandas para almoçar.
- Essa comida sai ou não sai? Faz dez minutos que fizemos o pedido!
- É o fogão à lenha, Matias, demora séculos! Eu te disse para seguirmos direto até o primeiro fast food que encontrássemos!
 - Esta espelunca não tem tomada para  plugar meu laptop! Tenta pedir um uber pelo celular!
- Não tem sinal! Não pega nada neste interior!
- Só pega moda de viola nessa rádio que a cidadã ligou aí! O, minha filha, essa comida sai ou não sai?
- E esse caipira aí, na porta, olhando direto para nós? Tá pensando o quê, ô capiau? Tira uma foto da gente prá guardar!
Daí o João entrou no restaurante, com a carinha humilde, com o chapéu na mão .
- Me adiscurpe, moço. Eu nem ia falá, mas tou vendo que vocês tão todo apressado ...o seu carro tá com dois pneu furado...
- Quê?
Eles correram para a porta e viram o ocorrido.
- E agora? Sem celular, sem laptop...Não tem telefone perto? Tem telefone aqui no restaurante?
- Não, num tem não. Todo mundo mora perto, mas num precisa de telefone.
- Ô, caipira, você não leva a gente numa borracharia?
O João botou o chapéu na cabeça fingindo tristeza.
- Discurpa, dotô, mas num vai dá não...
- Por que não?
- Meu cavalo tá carregando a bateria...
O cavalinho estava fazendo uma refeição ali perto, comendo mato  no jardim.
-E agorinha mesmo eu vou aí no banheiro da Zefa fazê um daunloudi...

                                                                              Ana Polessi


Obs.: Dedicado a dois paulistanos estressados que conheci numa viagem há muito tempo...
FESTA CAIPIRA

O céu não está mais apinhado de estrelas como antigamente. Elas continuam brilhando na nossa lembrança de infância do dedo proibido que apontava o infinito com medo de ganhar uma verruga.
Faltam também os balões porque se tornaram perigosos e deixaram de ser inocentes como os pequeninos e inofensivos que se soltava no quintal das noites frias de junho.
Estrelinhas, fósforos de cor e mesmo bombinhas que só tinham o objetivo inocente de divertir os pequeninos.
Mas a pipoca estoura, ainda que seja de micro-ondas. O amendoim torradinho, de pacotinho, faz a festa do mesmo jeito.
Só não sei se o coração da gente fica tão feliz ou se saltita como antes.
Deve vir daí essa vontade de fazer uma festa caipira, mesmo que seja tão diferente. Até as músicas são outras e a quadrilha na escola toca forró, pagode ou até música estrangeira.
Mas a vontade persiste e a máquina filma os filhos, os netos ou os sobrinhos vestidos de caipirinha para se apresentarem na escola. Laços de fita, lápis da mamãe imitando barba e bigode. A fogueira crepitante de papel celofane. Os vestidos com renda e fitas de cetim da última moda disputando a beleza das garotinhas. As biribinhas que estalam e são menos perigosas. Argolas, pescaria, bingo e os comes tradicionais juntando filas e às vezes engrossando os cofres da escola que já é tão cara de se manter.
A tradição das festas que, antigamente se chamavam “caipiras” permanece firme e forte, seja qual for o motivo. Modismo ou necessidade de voltar à origem da ingenuidade do caipira feliz olhando o céu brilhante ao pé da fogueira crepitante assando batata doce, enquanto o quentão esquenta no fogão à lenha.
Que se misturem os motivos e os desejos numa festa de matar todo ano as saudades.
Que o toque seja da sanfona ao vivo, ou via i-fone. Que os sapatos sejam de marca ou de alpargata, o importante é a expectativa que vai nascer a cada festa caipira que acontecer, em escolas, condomínios ou vilas.
E saber que em muitos lugares deve haver ainda o autêntico caipira pitando seu cigarrinho de palha e assuntando o céu à procura da chuva que vai regar a plantação e a sua esperança de prosperar. Já não vive tão alheio ao mundo porque os meios de comunicação se espalharam e podem até ter dizimado um pouco esse instinto determinado, agora arcaico de buscar o seu sustento na terra. O progresso que vem para melhorar  e acaba secando a fertilidade da boa vontade.
Mas muitos fogões à lenha foram comercializados nas casas de campo daqueles que tem condições de cozinhar a gás ou comprar comida pronta no mercado porque bate a saudade da simplicidade de vestir-se de caipira para arrastar os pés no terreiro, mesmo que seja de gramado cuidado e uma fogueira crepitando de maneira virtual. Os sentimentos surgirão no sorriso dos filhos, dos amigos e familiares e o calor que seja o do quentão, com pinga ou não.
Que o caipira seja convidado para cada uma dessas festas, para que não se perca o sentido desse homem trabalhador, sábio e sincero que sabe lidar com a terra, o sol, a lua e as estrelas.
Um exemplo de herança no nosso consciente coletivo para se louvar, além de comemorar.


Vera Lúcia de Angelis

domingo, 18 de junho de 2017

Chá Cultural do dia 17 de junho de 2017



No dia 17 de junho ocorreu o chá cultural do mês de junho, quando foram entregues os convites para a noite de autógrafo da entrega da antologia XXI, que ocorrerá no dia 21 de julho de 2017, Solange Vicentini T Mössenböck, Sandra Carrara e Vera Lúcia de Angelis leram seus respectivos textos sobre o tema "Caipira" e a vice-presidente Tatiana leu o texto de Ana Polessi que precisou se retirar antes do término do chá.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Entrega de convites para antologia

Informamos aos autores da antologia XXI que os convites para a noite de autógrafo serão entregues neste próximo sábado, dia, 17 de junho de 2017, no Chá Cultural que será realizado às 15h no Parque Ferras Costa, como acontece todo mês.

ATENÇÃO: Para quem não pôde ir ao Chá Cultural de 17 de junho de 2017, informamos que os convites para noite de autógrafos do dia 21.07.2017, da antologia XXI, poderão ser retirados na Farmácia Prudente , localizada à Rua Dr. Aguiar Pupo, 30 - Centro.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Antologias de 2017

Lançamento da Antologia XXI prevista para 21.07.2017

Lançamento da Antologia Infanto Juvenil 2017 XVII, prevista para 20.10.2017

Lançamento da EJA, prevista para 24.11.2017, após três anos sem novas edições.


domingo, 4 de junho de 2017

CHÁ CULTURAL REALIZADO EM 27 DE MAIO DE 2017

No dia 27 de maio de 2017 ocorreu o chá cultural do mês de maio. O primeiro chá da nova diretoria que tomou posse no dia 17 .

A presidente Regina Elisabete informou que a cerimônia de posse e aniversário da AEPTI 20 anos foi muito elogiada e citou o ofício de agradecimento em nome da Associação às autoridades, que foi publicado no Jornal de Itatiba . A foto da publicação está postada neste blog.

Alguns escritores presentes ao chá leram seus textos sobre o tema literário do mês de maio: AEPTI 20 anos: Geovane de Almeida,  Helena Brick, Rosa-Maria Ferraz Sangiorgi, Tatiana Rostaiser Petti e Vera Lúcia de Angelis
A vice Tatiana leu o texto do Sr. Lázaro Sylvio de Almeida Franco (Sr Zico da Caixa), que foi publicado no JI, sobre o mesmo tema.

Foram citados também os aniversariantes do mês de maio:

dia 17 -  AEPTI
dia 21 -  Neide Maria Gotardo Nallin
dia 23 -  José Luiz Águedo
dia 24 -  Débora Fragoso

Para o mês de Junho/2017 foi escolhido o tema: CAIPIRA

O próximo chá cultural ficou marcado para o dia 17 de junho de 2017, o terceiro sábado do mês de junho.

Tema literário junho/2017 - CAIPIRA

O tema literário para o mês de junho 2017 é:
CAIPIRA.
Para inspirar os escritores e visitantes deste blog vale rever o famoso quadro do pintor brasileiro Almeida Júnior:
E, abaixo, segue a letra de uma música que trata do mesmo tema, interpretada por Chitãozinho e Xororó:

Caipira 
Compositor: Joel Marques / Maracaí

O que eu visto não é linho
Ando até de pé no chão

E o cantar de um passarinho
É pra mim uma canção
Vivo com a poeira da enxada
Entranhada no nariz
Trago a roça bem plantada
Pra servir o meu país

Refrão:
Sou, sou desse jeito e não mudo
Na roça nós temos de tudo
e a vida não é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orgulho de ser caipira

Doutor eu não tive estudo
Só sei mesmo é trabalhar
Nessa casa de um matuto
É bem vindo quem chegar
Se tenho as mãos calejadas
É do arado rasgando o chão
Se a minha pele é queimada
É o sol forte do sertão

Refrão:
Sou, sou desse jeito e não mudo
Na roça nós tem de tudo
e a vida não é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orgulho de ser caipira

Enquanto alguns fazem guerra
Trazendo fome e tristeza
Minha luta é com a terra
Pra não faltar pão na mesa
As vezes vou a cidade
Mas nem sei falar direito
Pois caipira de verdade
Nasce e morre desse jeito